As Dualidades cientifico-religiosa e onda-partícula

27/09/2010 § Deixe um comentário

Atualmente, muito se questiona sobre a compatibilidade dos pensamentos religiosos com os científicos. Os últimos são baseados no método científico, que valoriza a experimentação e o pensamento racional, e os primeiros, em crenças e verdades dogmáticas (que são simplesmente aceitas sem prova evidente), que variam de pessoa a pessoa. Muitos são os que tentam conciliar as duas visões do mundo, criando explicações ditas científicas para o divino; entretanto, tiveram tanto sucesso quanto o Luan Santana num festival de Heavy Metal. A crença no sobrenatural, como na existência de um Deus onipotente e onisciente ao qual devemos obediência, não apresenta evidências relevantes, portanto, não é aceita pela Ciência: Deus é proibido em laboratórios!

Então, como não se pode juntar o divino com o científico, deve-se abandonar completamente um ou outro? Essa é uma questão delicada. A princípio, parecem duas visões antagônicas que juntas, como a existência de um negro nazista, não fazem sentido.

Coincidentemente, esse problema se confunde com a atual definição do que é matéria e do que é onda. Historicamente, se dissociava completamente esses conceitos: matéria como a entidade que possui massa e está sujeita à inércia e onda como uma perturbação oscilante que transporta energia sem que qualquer partícula seja deslocada. Usando a intuição, é relativamente fácil identificar cada uma: uma bola, um carro, a água, o ar, tudo isso é matéria, facilmente distinguíveis das ondas do mar, sonoras ou em uma corda.

Entretanto, essa facilidade intuitiva de classificar em onda ou matéria não é aplicada à luz. Tanto que, historicamente, foi objeto de muitas divergências entre os mais famosos cientistas. Durante o fim do século XVII, Isaac Newton defendia bravamente a teoria corpuscular contrariando a ondulatória de Christiaan Huygens (Chupa Huygens!). Porém, mais de cem anos depois, surge o experimento de Young, que demonstrou que a luz tem características de onda, interferência e difração (Chupa Newton!). Depois de mais cem anos, Albert Einstein surge e descobre o efeito fotoelétrico, a emissão de elétrons por uma placa de metal quando iluminada com luz ultravioleta, dando novamente características de matéria à luz (Chupa Young!)… Porra, mas essa luz não se decide (ui), hein?

Depois de muito se pensar, ficou claro que a luz não apresentava caráter ondulatório nem corpuscular, mas sim ambos ao mesmo tempo! A luz é onda e matéria (Chupem todos!). Ora as características ondulatórias ora as corpusculares são mais evidentes, o que não significa que a luz cada hora é uma das duas entidades, mas sim uma nova entidade, que engloba todas as características.

Pouco tempo depois, Louis de Broglie pensou que, assim como a luz, a matéria também apresentasse características de onda (fato que foi verificado experimentalmente). Assim, não existiria mais matéria ou onda como distintas, fundando-se a dualidade onda-partícula. Matéria é onda, onda é matéria e ambas são parte de uma entidade mais geral (mais ou menos como Dilma é Lula, Lula é Dilma e ambos fazem parte de uma organização maior.).

O vídeo a seguir explica muito bem tudo isso, vale a pena assistir:

É de maneira parecida que existem as pessoas duais quanto às entidades Ciência e Religião, que conseguem tê-las juntas em sua vida, ora dando mais importância ao método científico (e, na prática, deixando de lado o resto), ora a sua crença. Isso não significa que são pessoas contraditórias, somente não acham que o pensamento racional deve ser aplicado à tudo. O mais intrigante é que eles podem até ser bons cientistas ou importantes líderes religiosos.

Mesmo o pensamento racional, suportado por evidências, sendo tão belo e eficaz no mundo, deve-se saber que, mesmo que escolher um dos dois lados da moeda pareça mais lógico, é extremamente possível haver essa dualidade cientifico-religiosa, mesmo que tão pouco intuitiva.

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Ciência X Religião: Papa e os assassinos infiéis

17/09/2010 § 1 Comentário

[Atenção! Esse post é sobre religião. Se você é facilmente ofendido, não leia!]

No meu último post dessa seção, eu comentei sobre intolerância com o pensamento alheio e como isso é terrível. Você pode pensar então: “Ah! Esses caras são todos uns malucos quaisquer que não sabem do que estão falando e não deveriam ser levados a sério.”. Mas a coisa complica quando o Papa resolve entrar na brincadeira! É isso mesmo, o nosso querido pontífice fez um discurso nessa quinta-feira, ao chegar no Reino Unido, recheado de preconceito contra ateus, associando-os às terríveis atrocidades dos nazistas no século passado. Em suas palavras, deveríamos nos lembrar da “tirania nazista que queria erradicar Deus da sociedade”.

Queimar, fumar, até se masturbar com a Bíblia não é nada comparado a isso. É um forte incentivo ao preconceito contra um grupo que não tem ligação alguma com o Nazismo, ao contrário da Igreja Católica. Não estou aqui dizendo que todos os nazistas eram religiosos e muito menos jogando a culpa em cima do catolicismo (não sou o Papa para dizer algo assim). Mas é fato que, na época, não só a Igreja alemã, mas também as de outros países com regimes totalitários parecidos, fizeram diversos acordos com esses governos e também exploraram trabalhadores judeus (se não acredita, pesquise por aí). Além disso, o próprio Papa foi do exército nazista quando jovem!

O preconceito contra ateus já é enorme e completamente infundado e o cara que ocupa o cargo mais alto da Igreja mais influente do mundo vem com uma declaração dessas pra piorar ainda mais a situação. É uma estupidez tão enorme que não sei como os católicos conseguem ouvir algo assim de seu chefe e não questionar sua posição (mas enfim, questionar as coisas é tão trabalhoso, não é? Acho que vão deixar essa passar…).

É incrível como quem pode mudar o pensamento das pessoas acaba piorando tudo…

Ciência X Religião: O fumo divino

16/09/2010 § Deixe um comentário

[Atenção! Esse post é sobre religião. Se você é facilmente ofendido, não leia!]

Depois do pastor locão, que acabou por cancelar o seu plano de queimar publicamente cópias do alcorão, mostrar o enorme desrespeito que as pessoas em geral têm em relação aos ideais alheios, dessa vez foi um professor australiano ateu (que, a meu ver, costumam ser os que mais demonstram respeito com pensamentos diferentes) que mostrou que a mente humana sempre pode ir além. Alex Stewart, um jovem professor de direito da Universidade Tecnológica de Queenslaneu, deu uma aula de como ofender pessoas, deixando o pastor Terry Jones no chinelo, ao fumar literalmente pedaços da Bíblia e do Alcorão.

Eu acho que qualquer tipo de protesto (ou seja lá o que o cara tentou fazer) que têm como maior objetivo ofender pessoas é uma simples manifestação da estupidez. Protestos devem ser feitos de modo a tentar abrir os olhos das pessoas; nenhum religioso vai ver o vídeo e pensar “Putz! O cara tá fumando meu livro sagrado, então acho que não vou ser mais católico ou pelo menos tentar melhorar minha religião.”. É óbvio que não! A Religião traz coisas ruins (e também tem lados bons) para o mundo, isso é inegável. Mas isso não justifica tirar um sarro tão extremo de todos os que nela se apóiam. Não que fazer piadas com religião devia ser proibido, ao contrário, eu sou da opinião de que isso (e no grupo de teatro que participo, o do link aí do lado, temos uma peça que tira um sarro saudável com algumas religiões) é extremamente saudável. Humor é um jeito de refletir sobre aspectos importantes da vida.

Ouvi tantas críticas pesadas a respeito desse cara, algumas dizendo que ele deveria ser morto ou torturado. O que me leva ao meu segundo ponto: o exagero. Tudo bem, a idéia do cara foi idiota, mas há um exagero na reação das pessoas típica de manifestações anti-religião. A maioria dos que se revoltam com exagero são os ofendidos, naturalmente. Aposto que se o professor somente fumasse o Alcorão, ele iria receber muito menos xingamentos aqui no Brasil. O mesmo ocorre, em menor escala, em protestos nos quais, por exemplo, se queima a bandeira de um país. Nenhum brasileiro liga de um país muçulmano queimar a bandeira dos Estados Unidos!

Foi errado, mas não façam disso grande coisa.

Ciência X Religião: A mente de um Homem-bomba

10/09/2010 § 5 comentários

[Esse post é o primeiro dos que eu pretendo fazer sobre o tão delicado tema que é a Religião. Pretendo discutir a visão da Ciência e dos cientistas em relação à mesma e também o tema por si só, que já é cercado de polêmica e controvérsias.

Se você acha que pode se sentir ofendido com o que eu escrevo aqui: não leia! Pra que se ofender à toa? Vou apenas mostrar uma opinião pessoal sobre esses assuntos, tentando usar o respeito como limite das discussões.]

Durante essa semana, surgiu um número enorme de notícias sobre uma decisão, um tanto quanto estúpida, de um pastor americano chamado Terry Jones. Tudo isso porque ele teve a brilhante idéia de queimar o alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, nesse próximo dia 11 se setembro, em protesto à construção de uma mesquita nas proximidades de onde se localizavam as torres do World Trade Center. Além de incitar os fiéis de sua igreja a também queimarem o livro, ele instituiria o dia 11 de setembro como o “Dia Internacional de Queima ao Alcorão”.

Não precisa nem comentar de quão perigosa é essa idéia: é como cutucar uma onça com um alfinete, não tem como isso dar certo! Mesmo que os atentados “terroristas” não aumentem absurdamente depois desse maravilhoso ato, ele mostra uma intolerância tão grande pelo modo de pensar alheio que só poderia ter sido criada por divergências religiosas. Mas o mais provável mesmo é que pelo menos a expectativa de vida desse pastor tenha diminuído uns 30 anos. Certeza que ele vai ter que andar com seguranças por um bom tempo, senão… BOOM!

Sem sombra de dúvidas, a revolta dos cristãos com o Islamismo é evidente pelo desacordo das idéias e a dita “crueldade” que a ele se atribui, fortemente representada pelos homens-bomba. Mas o que realmente faz essas pessoas explodirem seu próprio corpo? Sua religião? O sentimento de proteção de seu Estado? Sua cultura? (E será que existe treinamento para isso? Hahaha, não aguentei.)

Vamos entender um pouco da religião islâmica para ajudar a esclarecer como a mente de um homem-bomba funciona. Os muçulmanos consideram o Alcorão, livro sagrado escrito com base nas profecias de Maomé, como a palavra divina pura e inalterada, de modo que não haja múltiplas interpretações possíveis (e assim, sem a necessidade de mediadores). Pode-se dizer que o muçulmano tem uma relação muito mais próxima com o divino.

Uma passagem do Alcorão diz: “Deus quando criou os céus e a terra disse: ‘venham a mim obedientes ou contra a vontade’. Eles responderam: ‘nós viemos submissos, obedientes ao Senhor’ […]”. Os seres humanos estariam, portanto, eternamente em débito com Deus e deveriam pagar com sua subserviência. Além disso, há uma união entre as esferas da política, da sociedade e da cultura, que se vêem envoltas por um laço religioso. Nesse contexto, a cultura dos muçulmanos (que é extremamente guiada pela fé) tem em si um sentimento de doação ao divino, à pátria, à dignidade e à fé como uma elevação. Assim, quem mais entrega, melhor é e mais benefícios irá receber por isso. No extremo, estão os homens-bomba, que entregam a si mesmos como sacrifícios (esperando sua retribuição, é claro).

O “terrorismo”, então, é conseqüência de uma longa história de valores religiosos e culturais e não simplesmente uma simples manifestação do “Mal”, como muita gente o descreve. Não que eu apóie, ao contrário. Isso serve somente para mostrar na encrenca que o idiota do pastor se meteu: homem-bomba não ataca, segue sua tradição.

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